A invasão silenciosa (01-02-10)

Já fazem algumas décadas que a região serrana foi “descoberta” pelos
moradores da Grande Vitória. Com o passar do tempo, não satisfeitos em
passar finais de semana ou férias, resolveram ter um pedacinho de terra nas
montanhas.

Domingos Martins sempre foi o destino preferencial, juntamente com outros
municípios do eixo da BR 262. A proximidade com a capital e com Vila Velha
foi a grande estimulante da corretagem e do surgimento da figura do
“sitiante”, aquele proprietário que tem terra para lazer e descanso.
Os últimos anos, porém, não abrandaram os movimentos de migração dentro da
Grande Vitória para sua parte norte - um ótimo exemplo é a explosão de
unidades habitacionais no bairro Jardim Camburi. Agora, a bola da vez parece
ser mesmo o município da Serra. Basta observar a quantidade de condomínios
residenciais de médio e até de alto padrão que vão mudando a cara daquela
cidade.
O certo é que parte da classe média no Estado estará morando na Serra nos
próximos anos. E o que isso tem a ver com a região de montanhas? Pode ter
muita coisa. Principalmente a geração de uma nova dinâmica de ocupação
imobiliária por sitiantes.
A Serra já conta com acessos pavimentados do litoral para a sua Sede. O que
não existia até poucos meses atrás. Praia Grande, vizinha de Nova Almeida,
está praticamente com a estrada que a liga com a sede de Fundão pronta.
Faltam cerca de 1,5 km de pavimentação e a conclusão de duas pontes.
Com certeza, até a eleição de 2010 o governador fará questão de inaugurá-la.
Isso tudo significa o surgimento de novas rotas entre o litoral e as
montanhas. Só que desta vez o destino será Santa Teresa. E sem o incômodo e
risco de acesso exclusivo por uma estrada perigosa como a BR 262. Vale
destacar que a rodovia entre Fundão e Santa Teresa já está sendo
revitalizada e ampliada, e que a pavimentação da estrada entre Santa
Leopoldina e Santa Teresa já vem sendo anunciada.
É muito provável que nos próximos anos Santa Teresa experimente uma
“explosão” e valorização imobiliária com os novos sitiantes que, oriundos do
município da Serra, terão na doce terra dos colibris sua alternativa de
paraíso de final de semana.
É possível estimar que tal contexto reduza a atual pressão (e valores) sobre
terrenos em Domingos Martins , Marechal Floriano e demais vizinhos da BR
262. Também como é cabível admitir que a expansão sobre Santa Teresa, se não
for bem planejada, poderá gerar impactos/estragos sociais, econômicos e
ambientais como os que são visíveis em Domingos Martins e região.

Fabrício Ribeiro, jornalista

 

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